A importância do café para os Turcos

Cafe Turco do Cafe Cultura

A Turquia não está no top 20 de países que mais consomem café no mundo. Aliás, passam longe disso. Eles também não estão entre os maiores produtores do grão, grande parte do café consumido no país sai da América Latina. Porém, quando se fala em história e tradição cafeeira, não há dúvidas de que os turcos estão entre os primeiros lugares.

Conta a história que o café foi “descoberto” na Etiópia, levado para o Iêmen e de lá era distribuído para o mundo. A Turquia logo foi tomada por diversas casas de café e o chamado “Café Turco” é um dos métodos de preparo mais antigos no mundo.

Só para vocês terem uma ideia da importância cultural do café, em 1475 foi criada uma lei no país que permitia à mulher pedir o divórcio caso o marido não lhe desse uma quantidade diária de café. Dá para imaginar?

Outro fato curioso aconteceu entre os séculos 15 e 16. Naquela época, o café já era uma boa desculpa para as pessoas se reunirem e jogarem conversa fora. Fosse em suas residências, casas especializadas ou mesmo praça pública. Era um momento para apreciar a bebida e conversar.

A revista Cafeicultura conta que essas “reuniões populares” deixaram o sultão Osman II um pouco receoso, afinal poderia surgir alguém insatisfeito com o governo e incitar os outros, começando uma rebelião. Vai saber.

Então ele ordenou que o “Sheik ul-islam” (autoridade máxima sobre os assuntos islâmicos) emitisse uma declaração: “o consumo de qualquer tipo de alimento, torrado até possuir cor próxima do carvão, é proibido pelo Islã”. Na época a torrefação era feita em uma placa de ferro que deixava o grão bem escuro.

Sabe qual a solução encontrada pelo povo? Passaram a fazer uma torra mais clara (jeitinho turco?) do café. Até hoje há dois tipos de torra no país: Cinamon (mais clara) e Double Roasted  (mais escura).

O modo de preparo também permanece o mesmo: recipiente de cobre ou latão, conhecido com cezve, moagem muito fina, quase como uma farinha e água fervente. Talvez seja o único método em que a água é fervida. O resultado é um café encorpado, com perfume e doçura acentuados. A experiência não é completa se a degustação não for seguida pela cafeomancia, a previsão do futuro através da borra de café, famosa no Brasil depois da novela O Clone.

Os turcos podem até não serem os maiores produtores e consumidores de café, mas levam a bebida tão a sério que têm até provérbio. Como eles dizem por lá: “O café deve ser negro como o inferno, forte como a morte e doce como o amor”.

Quem já provou?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *