Você sabe a importância do café para a história da aviação?

Os feitos de Santos-Dumont com o 14 BIS, o primeiro avião do mundo, e seus outros experimentos que lhe renderam o título de “Pai da Aviação” são conhecidos e idolatrados mundialmente. Seu nome consta no “Livro de Aço” do Panteão da Pátria e Liberdade, dedicado a personalidades que se destacaram em prol da pátria brasileira. Mas você sabia que, se não fosse pelo café a história poderia ser bem diferente?

Acontece que o pai do aviador, o francês Henrique Dumont, foi o segundo “rei do café” na época do Brasil Império e sua fazenda, a Arindeuva, localizada no interior de São Paulo, era a maior e mais moderna da América Latina.

Para você ter uma ideia, ele mandou construir uma linha férrea de 96 km dentro da fazenda para transportar o café da plantação em pequenas locomotivas até a área onde ficavam as máquinas.

Alberto Santos-Dumont, na época conhecido apenas como Albertinho, não se interessou pela cafeicultura, mas adorava as máquinas importadas da Europa que havia na fazenda. Ávido leitor das histórias de Julio Verne, acreditava que tais máquinas eram o que havia de mais próximo dos livros de ficção científica. Foi ali que começou a ter suas ideias para dominar o ar.

Sua família já não tinha mais a fazenda quando ele começou a fazer suas experiências. Seu pai a vendeu por 12 mil contos de réis – o equivalente a mais de 3 milhões de dólares hoje – e mudou-se para a França com esposa e filhos por conta de um tratamento médico. Após a sua morte, Santos-Dumont custeou suas invenções e testes com o dinheiro da herança.

Mesmo já longe das fazendas e morando na França, o café esteve sempre presente nos momentos mais importantes da vida de Santos-Dumont. Sempre que ia voar (com balão ou dirigível) ele levava uma garrafa térmica cheia da bebida para ficar lá em cima o tempo que fosse necessário. Após ser o primeiro homem a conseguir dar a volta na torre Eiffel em um dirigível em outubro de 1901, provando que era possível controlar uma máquina voadora, a multidão o aplaudiu e lhe serviram uma xícara de café para celebrar.

Em seu livro de memórias escrito em 1904, Meus Balões, o aeronauta brasileiro fala, dentre outras coisas, da época em que morava na fazenda de café, todo o processo utilizado da plantação ao ensacamento, as máquinas, o dia a dia, etc.
No próximo dia 20 de julho seria seu 143º aniversário e no dia 23 faz 84 anos que nos deixou. Um homem visionário e a frente do seu tempo, mas que em sua relação com a bebida que amamos mostrou que era tão normal quanto todos nós.

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