Você sabe o que é um café “100% arábica”?

Quem acompanha o mundo do café de qualidade está acostumado a ver nas embalagens a inscrição “100% arábica”. Café bom que se preze precisa ser assim, os nossos blends Café Cultura também se encaixam nesta classificação. Mas você saberia dizer porquê o café arábica tem qualidade melhor que o robusta?

Se você está perdido, vamos fazer uma rápida explicação entre os tipos de grãos. O arábica foi catalogado em 1753, é naturalmente doce, possui aroma forte, gera uma bebida ligeiramente ácida e corresponde a 75% da produção mundial.

o robusta foi catalogado no fim de 1800, tende a ter um sabor mais fraco, com menos acidez, floresce diversas vezes ao ano (ao contrário do arábica) e corresponde a 25% da produção de café mundial.

Isso é apenas para ter uma noção, mas há um detalhe muito importante que faz toda a diferença no resultado final: a altitude. O grão do tipo robusta é plantado em altitudes de até 600m, já o arábica entre 600 e 2 mil metros. Estudos recentes mostraram que quanto maior a altitude, maior a concentração de minerais no grão e maior riqueza de sabor e aroma.

E faz todo o sentido, pois sabe-se que a temperatura cai cerca de 0,7°C a cada 100m a mais de altitude. Assim – com um clima mais ameno, mais chuva ao longo do ano e muito sol – o grão se desenvolve melhor, acentuando o sabor, a acidez e o aroma do café, justamente os requisitos mais importantes na avaliação de qualidade.

Então, lembre-se: quando vir que um café é 100% arábica, lembre-se que ele é um café de altitude, cultivado em terrenos específicos, clima ameno e rico em sabor, acidez e aroma. Quem sabe até algumas notas frutadas, florais ou picantes.

Deu até vontade de tomar um café…

8 comentários em “Você sabe o que é um café “100% arábica”?

  1. Edson engler disse:

    Comprei um cafe 100% arabica, da marca aviação, pensando ser um cafe bom ( pois no rotulo dizia “100% arabica”, e ser mais caro) me decepcionei. Cafe ruim, sem sabir, sem cheiro (ex: damasco/mellita tem sabor melhor). Enfim o que posso dizer ou o café é ruim mesmo ou fui enganado.

    • cafecultura disse:

      Olá Edson.
      Só porque o café é 100% café arábica não significa que seja um café de qualidade. A maioria dos cafés aqui no Brasil são café arábica. Existem diferentes categorias de qualidade. Este café que você provou provavelmente era de qualidade inferior. O Café Cultura compra apenas cafés especiais. Isso garante um café de melhor sabor. Procure também a torra mais leve para destacar os sabores regionais do café.

    • Café Cultura disse:

      Olá Ricardo!
      Os cafés são classificados em 4 categorias: tradicional/extra forte, superior, gourmet e especial. As duas últimas categorias são as que possuem grão arábica. O que as diferencia é a qualidade.
      O Café Gourmet possui uma seleção mais cuidadosa da matéria prima utilizada, apresenta um controle maior da torra, não sendo tão escura quanto as torras dos cafés tradicionais/extra forte e superiores. Contudo, é um café que ainda pode apresentar um certo amargor devido alguns defeitos encontrados na matéria-prima utilizada.

      Já o Café Especial possui um rigor maior em relação a matéria-prima. A torra é executada com um controle maior, buscando evidenciar as características naturais do café. Mais do que isso, o café especial passa por um protocolo de avaliação sensorial, em que são analisados 10 atributos diferentes. Os atributos analisados são: a fragrância e aroma, o sabor, a finalização, a acidez, o corpo, o equilíbrio, a doçura, a ausência de defeitos, a uniformidade e resultado global. Para cada atributo é dada uma nota. Para ser considerado especial o café tem que atingir o mínimo de 80 pontos, após somar-se a nota de todos os atributos avaliados.
      Espero ter ajudado, qualquer dúvida entre em contato! Bom final de semana!

  2. Gian Guilherme Freitas Béria disse:

    Boa noite! Muito aprendi com as respostas dadas aos comentários. O que me deixou curioso foi sobre a categoria “especial”, a qual, eu não sabia, é um café de qualidade muito superior por dever atingir no mínimo 80 pontos. Problema é que, se fosse tão simples assim de nós consumidores adquirirmos esse tipo de café, bastaria desembolsarmos menos de 20 reais por 500g do café “Melitta Especial”. E não precisaríamos pagar tão caro por marcas requintadas se na prática o Melitta Especial é melhor que todos eles e muito mais barato?! Caso este raciocínio seja tão absurdo quanto parece, como permitem uma marca utilize essa nomenclatura “Especial” quando nem sequer sabemos se ela passou nos testes rigorosíssimos de qualidade?

    • Café Cultura disse:

      Olá, Gian!
      Tudo bem?
      Pertinente o seu comentário. De fato, para poder ser chamado de especial, o café precisa ter pontuação acima de 80 na classificação internacional da SCA (Specialty Coffee Association). Não entraremos no mérito de como algumas marcas se posicionam no mercado – isso não nos cabe -, mas para ser especial, no mínimo, na embalagem deve conter a informação “100% Arábica”. Além disso, a torra desse café costuma ser média, pois quanto mais escura é sinal de que o insumo café é de baixa qualidade e você precisa queimá-lo para “mascarar” as imperfeições. E claro que você perceberá a diferença também no sabor.
      Obrigado!

  3. Gian Guilherme Freitas Béria disse:

    Muito obrigado pela resposta ao meu comentário! Fico feliz em saber que o Café Cultura preza pelos admiradores de cafés de qualidade! Aliás, em breve termos no Brasil uma “Política Nacional de Incentivo à Produção de Café de Qualidade”?! Espero que isso realmente popularize os cafés de melhor qualidade e que nós brasileiros não mais engulamos qualquer coisa! Abraço à toda equipe do Café Cultura!

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