Você conhece a história da cafeteira Globinho?

Cafeteira Globinho ou Sifão Café Cultura

A cafeteira Globinho – ou, se preferir, Sifão – parece um equipamento de laboratório químico, é verdade. E isso é tão interessante quanto o café limpo, com doçura marcante e sem amargor que ela produz. Tanto que um dos posts de maior sucesso em nossa página do Facebook é um vídeo que mostra seu funcionamento pelo princípio de transferência térmica e vácuo.

Aliás, se você não segue o Café Cultura, tá mais do que na hora.

Um fato interessante sobre a Globinho é que ela combina dois modos de preparo: imersão total e filtro, é raro encontrar isso em outros métodos. Os franceses costumam dizer que ela é a forma mais pura de fazer café, porque o pó só entra em contato com o vidro e a água, preservando os óleos naturais da grão.

Falando em França, eles têm uma contribuição importantíssima nessa história. Apesar de a primeira patente de uma cafeteira à vácuo que se tem notícia vir da Alemanha em 1830, foi no país do escargot, dez anos depois, que surgiu a primeira a ter sucesso comercial. O nome da inventora é Marie Fanny Amelne Massot, ou Mme. Vassieux, nome utilizado no registro de patente.

O blog Coffee Brew Guides conta a história em detalhes. Essa cafeteira revolucionou a maneira de fazer café. Antes tudo era preparado na cozinha, longe de todos. Mas com a Globinho a graça era justamente mostrar o sobe e desce da bebida. Era tão bonito de ver que deveria ser exibida na sala de estar ou jantar. Todos ficavam maravilhados!

O sucesso era enorme e a produção era em larga escala, tanto que ainda é possível encontrar algumas dessas cafeteiras por aí. Falando nisso, há fortes evidências de que Madame Vassieux tenha sido uma cortesã que atendia aos ricos e nobres franceses. Por isso ela tinha tempo livre para desenvolver o aparato e, principalmente, influência sobre os contatos certos para tirar do papel.

Porém, o que ela não sabia é que um inventor escocês desenvolvia um sistema semelhante quase na mesma época. Seu nome era Napier e, ao contrário da madame francesa, ele não quis patentear sua invenção, que também foi muito popular em seu país. Tão popular, que durante o primeiro encontro do Instituto de Engenheiros Mecânicos, em Glasgow, 1856, foi oferecido um prêmio “exibindo o Napier Coffee Pot e seu entretenimento gratuito dos seus convidados com café”.

Embora o modelo “Naperiano” fosse diferente por não ter os dois globos um acima do outro, o princípio era o mesmo: transferência térmica e vácuo. Até o objetivo de ser um artigo de exibição continuava. Tanto que o fabricante colocava um aviso “se preferir, pode ser ELEGANTEMENTE equipada com quadros e globos de prata”.

Quem diria que mais de um século depois a Globinho continuaria a nos deixar impressionados e não apenas pelo seu café delicioso?

2 comentários em “Você conhece a história da cafeteira Globinho?

  1. Miguel Ramos disse:

    Não conhecia a globinho mas há uns 45/50 anos atrás minha mãe tinha uma de alumínio.
    Parecia uma cafeteira italiana, só que maior e funcionava à vácuo.

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